Estudo 4 - Inabaláveis - #Recomeço

Estudos #RECOMEÇO

Inabaláveis

Ef. 6.13

Pastor Nikolas Wille



Os estudos realizados acerca dos versículos que antecedem o nosso versículo de hoje (13) formam uma unidade temática que elucida a dinâmica da espiritualidade cristã: “Fortalecidos no Senhor” (6.10), vestidos com “a armadura de Deus” (6.11), enfrentamos “a luta diária” (6.12). Uma vez que isto está enraizado em nossos corações e mentes, o Espírito Santo nos toma pela mão, nos guia e conduz para a certeza esperançosa que a Palavra viva de Jesus inaugura manhã após manhã em nossas vidas: Permaneceremos “inabaláveis” (6.13).

“Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis”. (NAA)

“Por isso peguem agora a armadura que Deus lhes dá. Assim, quando chegar o dia de enfrentarem as forças do mal, poderão resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutarem até o fim, vocês continuarão firmes, sem recuar”. (NTLH)

O “por isso” de Paulo, como o qual ele inicia o versículo em estudo, tem como pressuposto que entendemos bem o que foi dito antes, isto é, que entendemos bem pelo menos o que foi dito no verso anterior, a saber, que saibamos distinguir e identificar os reais inimigos que nos ameaçam, e a dura realidade do caos e dos perigos que esses inimigos tentam instalar diariamente nas nossas vidas.

Diante disso, há um imperativo do apóstolo – sim, literalmente um verbo no modo Imperativo ordenando “peguem toda armadura de Deus”. Os inimigos e suas obras são tão poderosos que apenas a armadura de Deus torna-se eficaz na batalha. A pequena expressão “de Deus” comunica para nós duas coisas: posse e origem. Deus possui esta armadura, e esta armadura tem origem nele, e não em seres humanos. Por isso, quando enfrentamos o inimigo, enfrentamos com as coisas de Deus. Dietrich Bonhoeffer, um pastor luterano que vivenciou literalmente uma guerra (Segunda Guerra Mundial), falecido em 1945, disse que “o ser humano natural busca a comprovação da sua força na aventura, na luta e no encontro com o inimigo.” Se isto é verdade, especialmente quando aprendemos com Lutero no Catecismo Menor que os nossos inimigos são o diabo, o mundo e a nossa natureza humana, estaremos perdidos, porque neste caso, nossas próprias forças inclusive se voltam contra nós. Assim, enfrentamos os inimigos com as forças de Deus, e nunca com as nossas. Diante disso, o apóstolo diz: “Peguem toda armadura de Deus”. As nuances de significado deste Imperativo do apóstolo – “peguem”, nos ajudam a assimilar a riqueza da Palavra de Deus em nossas vidas; “peguem” pode significar também: “usem” “acolham bem”. Pode parecer óbvio, mas não basta simplesmente saber da existência de uma “armadura de Deus”, é necessário vesti-la. Saber da existência da armadura de Deus e não vesti-la seria semelhante a ser diagnosticado com alguma doença, ter o médico certo, a receita certa, o remédio certo na dose certa, mas não tomá-lo, aplicá-lo, e permanecer doente, sucumbir à morte. Seria semelhante também a estar faminto e sedento, ter livre acesso a um banquete, e não alimentar-se para saciar a fome, permanecendo fraco, sem forças. A "Armadura de Deus" apesar de mencionada neste versículo (13) e também antes (11), será detalhadamente descrita e estudada nos próximos versículos e estudos.

Apenas de posse, vestidos com a armadura de Deus, poderemos “resistir no dia mau”. A expressão “para que vocês possam” enfatiza ainda mais a necessidade da força e o poder da armadura de Deus. O verbo “possam” significa “poder, capacidade”. Isto nos lembra o que Paulo disse sobre enfrentar as adversidades e perigos em meio ao vivenciar da fé: “... a nossa capacidade (suficiência) vem de Deus” (2 Co 3.5) e também o louvor do salmista ao dizer que “O SENHOR é a minha força” (Sl 28.7) e a força do seu povo (Sl 28.8). Na medida em que esta consciência passa a ser alimentada e enraizada em nós pela obra do Espírito Santo, poderemos, junto com Paulo e com todos os santos que foram perseguidos e aterrorizados na história do Cristianismo “sentiremos prazer nas fraquezas, na injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” (2 Co 12.10).

Apesar de toda a luta e as consequências oriundas dela, e a despeito de todas as aparências que muitas vezes nos enganam, nesta luta, sairemos vencedores e eternamente inabaláveis. Num comentário sobre a bondade de Deus, louvada e exaltada no Salmo 118 – o preferido de Lutero, o Reformador nos convida a perceber a grandiosidade da graça de Cristo justamente por causa das lutas e batalhas que travamos, e que muitas vezes, nos fazem balançar quando caminhamos pela tênue linha da fé e da incredulidade por causa da nossa incompreensão e limitada percepção da bondade de Deus em nossas vidas. Ele comenta assim:

Em primeiro lugar, com certeza não duvide que Deus não lhe manda infortúnio para a destruição, mas que com isso quer estimulá-lo à oração, a clamar e lutar, para que se exercite a sua fé e aprenda a conhecer a Deus sob outro aspecto do que vinha fazendo até agora, e também se acostume a lutar com o diabo e o pecado e a vencer com a ajuda de Deus. Do contrário, jamais aprenderíamos o que é fé, palavra, Espírito, graça, pecado, morte ou diabo, se tudo transcorresse em paz e sem tentação. Desta forma jamais conheceríamos o próprio Deus, em resumo, com isso jamais nos tornaríamos verdadeiros cristãos nem poderíamos continuar sendo cristãos. Penúria e angústia nos obrigam a isso e nos preservam maravilhosamente no cristianismo. Por esse motivo a tribulação e a cruz nos são tão necessárias como a própria vida, e mais necessárias e proveitosas do que todos os bens e honra do mundo.

Assim Deus articula e organiza nossa vida, pelo Seu Espírito, na Sua Palavra e nas nossas experiências boas e ruins. No meio de tantas dificuldades, lutas e investidas dos inimigos, Deus faz com que mesmo isso seja utilizado para o nosso bem e para a nossa vida de fé nele, já hoje, aqui, neste mundo, e na eternidade. As aparências nos podem enganar. Podemos simplesmente pensar que em meio à toda batalha estamos sozinhos, ou que, em meio a todo sucesso, somos autossuficientes em nossas forças e não precisamos de Deus. A frase do pastor Dion Garret esclarece para nós isso “Quantas vezes eu já deixei de perceber a bondade de Deus pelo fato de já ter decidido, na minha mente, o que era ‘bom’ e o que era ‘mau’...” Assim, apesar das aparências, permaneceremos inabaláveis, em Cristo Jesus, o nosso Redentor. Amém!

Para refletir:

1. Qual a diferença entre o conhecimento histórico-intelectual (a armadura de Deus existe!) e o conhecimento da fé (preciso vestir a armadura de Deus)?

2. Qual é o proveito do sofrimento em nossa caminhada de fé? Veja Romanos 5.1-5.

3. Permanecer inabalável, significa não atravessar problemas e lidar com dificuldades? Veja Isaías 43.1-5.


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