O que vi, ouvi e senti na China

O que vi, ouvi e senti na China

Leopoldo Heimann

 

Relato publicado no Mensageiro Luterano em agosto 2008

 

Estive em duas oportunidades na China. Não pude entrar como pastor, mas entrei como jornalista. Visitei Beijing, Nanjing e outras cidades, a Cidade dos Mortos e a Grande Muralha. Foi no início dos anos de 1990 e era muito difícil entrar no país. Fui revistado 12 vezes, mas não sofri pressão maior.

O que eu vi lá é que existe uma pressão contra a Igreja Cristã. O povo é um povo triste, trabalhador. Visitei a Sociedade Bíblica da China, tinha umas 50 pessoas trabalhando. A Igreja existia, mas às escondidas, na época.

O ponto mais marcante foi quando nós realizamos um culto, à noite, no terceiro subsolo, com um grupo ao redor de 25 pessoas. Ali, a maior vivência que eu tive foi um quadro que nunca antes havia visto – Jesus sorrindo, um Jesus alegre. Incrível, na China comunista eu encontrei esse quadro de Jesus. Hoje o tenho aqui no meu escritório. Este Jesus está alegre por duas razões bíblicas: uma porque ele venceu a morte e conquistou a salvação para a humanidade; outra porque os líderes leigos foram pregar o Evangelho da salvação (Lucas 10). Esse é o Cristo alegre, no meio de uma China muito triste, na época perseguido. Hoje, o mundo já é diferente.

Estive em Hong Kong quando a Inglaterra devolveu Hong Kong à China. Estava ao meu lado o imperador da China, ao qual tive a oportunidade de cumprimentar pessoalmente. Mas é um “clima” muito frio; o medo se fazia presente em cada gesto ou palavra, bandeira vermelha... O que parece meio apocalíptico é o dragão, emblema da China. Está estampado nos prédios, nos aviões, nos automóveis, nos vidros, em tudo! Então, é uma situação difícil, mas o que alegra é que, no meio daquela tristeza, também existe a fé cristã no Salvador Jesus que se alegra com cada pecador arrependido e salvo.

Outra coisa que me impressionou profundamente foi numa reunião da International Lutheran Council (ILC), da qual eu era presidente, e tínhamos como lema: “Ouvi o que o Espírito diz às igrejas.” Naquele culto, nós lemos em 36 línguas diferentes este versículo: “Ouçam o que o Espírito diz às igrejas da Ásia.” Eu estava na Ásia, e me senti no tempo dos apóstolos.

Mas existem ali pessoas fiéis, temos igrejas e escolas em Hong Kong. É um mundo diferente, um mundo que precisa ser cada vez mais evangelizado, porque a China é uma das mais antigas civilizações do mundo. E o barbarismo, a Cidade dos Mortos – onde, pela religião, se degolavam as pessoas –, está lá ainda hoje para quem quiser ver. Mas o Cristo vivo, que dá vida para sempre, está muito vivo e muito alegre com sua mensagem na China.

 

Sobre o autor: Heimann é pastor, jornalista, coordenador dos cursos de Teologia e Filosofia da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), ex-presidente da IELB.

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